Lua Vazia - UOL Blog

Lua Vazia


14/07/2008


Antevisão

 

 

 

Sufocarei

se eu dissesse

vós desacreditáreis

a inveja que vislumbrada

a antevisão do acontecimento

o premeditado sortilégio nas trevas

malefício e benefício abortados

o sacramento desperdiçado

quietamente destilado

momento esvai

na lágrima

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 00h31
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05/07/2008


Matiz

 

 

 

Açoite e despudor dos fingidores

o totem da mesma estirpe

os poetas e as putas

sensualidades

seguem

indo assim ...

brinda o torso ao luar

ilusório matiz de prata anil

grafita a mácula no muro virgem

viril poste vigilante da rua

um olho holofote

testemunha

o que o avesso teima revelar

num jogo de cintura

sonho oxidado

meio-fio

vai ao centro

quadrante do prazer

na ginga descompassada

a suposta razão do lado esquerdo

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 18h10
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28/06/2008


Rédea

 

 

 

Deus me livre do mal

liberto eu

libertino

da rédea crivada

a profunda linha do destino

 

 

Zeca Pestana

 

Escrito por Zeca Pestana às 16h29
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21/06/2008


Porcelana

 

 

 

Quem reside na vitrine iluminada

é só um molde alucinado

marionete sem o fio

ilusão de ótica

engana

olhar vitrifica

sobrevive ao trejeito

clarificada tez de porcelana

o boneco imita a vida

dublê do sonho

vivifica

passo a passo

na imagem infantil

cria a sua ilha da fantasia

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 23h21
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13/06/2008


Catarse

 

 

 

Amoral

ser um canibal

dentes desejosos de carne

o predador na sexta-feira ímpar

algarismo cabalístico

início de noite

bestial

uma paixão

no toque agridoce

sem saber qual é a meta

provocar alguém de sangue quente

predisposta vítima indefesa

nem questiona o nome

na solidão loquaz

oferecida

aceita o papel

satisfeito os apetites

assina em uivos lacerantes

visto a catarse mundana que vivo

interlúdio breve da razão

adormece ao dia

o lado B

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 03h03
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07/06/2008


Código

 

 

 

Código

em cadeado

limite insuportável

no buraco da fechadura

a presença quase indesejável

o esconderijo do enigmático valor

procrastinado a me sentir ateu

cabisbaixo e de pé firme

no nó da madeira

a perpétua lei

o perigo

em aço inox

não abro nem ferrando

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 18h40
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31/05/2008


Mensagem

 

 

 

ao léu

a felicidade

resguardo do tempo

mareja entre a crista da onda

uma mensagem deixada na garrafa

perto do porto ancoradouro

a mesura do destino

matura a idade

ao céu

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 15h49
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23/05/2008


Festa

 

 

 

Despistarei a tristeza

procuro o par

número exato

danço freneticamente

por uma noite

dispenso gente chata

pára o pensar

deliciosa irreverência

só nós à sós

descortinando na luz

vira mundo

mundo gira

de nuvem passeando

na manhã

seremos a festa

sem diplomacia barata

iremos brindar ao entardecer

para que a dor brilhe menos amanhã

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 22h40
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17/05/2008


Chocolate

 

 

 

Carência sem sabor de aventura

afoga na malícia da gula

ao deleite chocolate

sedutoramente

vitaliza

poção da magia

até parece uma bruxaria

atração apetente

hipnotiza

sombras de veludo

na realidade embaçada

longa noite marrom de mil horas

romance escrito em livro

miragem mesclada

narcotiza

livre graciosidade

escorre por entre os dedos

faminta lambida de puro prazer

no creme que derrete

confundem-se

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 23h22
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10/05/2008


Pimenta

 

 

 

Quente

sou arisco

pavio da dinamite

alimento-me com pimenta

temperadamente

sensível ao toque

chego no ponto de ebulir

rubra insinuação

despudoradamente

o gosto na ponta da língua

Há risco de esquentar um coração

veste vermelha que despida

exibe lasciva intenção

carne ao ponto

vai arder

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 18h17
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01/05/2008


Cupido

 

 

 

Promessa

subscrita com giz

uma mensagem de amor

não soube suportar a intempérie

o lado lisérgico do cupido

esbarrando forte

apagou

afeto sem resistência ao relento

a arte do pó na prateleira

efêmero suspiro

espargiu

Entre os lados opostos da tal laranja

cada qual dissecou seu quinhão

no peso de meias-verdades

magoou o lúcido solo

quando acidulou

num delírio

diário

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 13h34
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21/04/2008


Refúgio

 

 

 

Longitude

atol temporal

metáfora do córtex

ermo refúgio castanho

na vaga escassez emocional

é proibido a entrada de estranhos

fronteiras em entrelinhas

seremos os únicos

sem a idade

mandala

senha mantra

no verbo pretérito

muito mais que perfeito

olháreis a passagem do longo dia

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 18h06
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12/04/2008


Ambrosia

 

 

 

Acetinada

moça enamorada

esconde a suprema fonte

aonde bebe com gulosa paixão

absorve carinhos

absolve os mistérios

se entrega ao devaneio profano

na alusão do querer

extrair um gole

ambrosia

divinal egoísmo do que é seu

entorpece em realidade

sentindo na boca

girar o céu

quimera

 

 

Zeca Pestana

 

Escrito por Zeca Pestana às 21h23
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05/04/2008


Mentiras

 

 

 

De mentiras

tolas

ocas

tuas

de mente irás

em busca de algo

 

 

Zeca Pestana

 

Escrito por Zeca Pestana às 14h54
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29/03/2008


Arcano

 

 

 

Solidão

janela cega

quinta-essência

rédeas na alucinação

a percepção parcimoniosa

penumbra levemente penetrável

entre frestas de eternidade

nos vultos da parede

festas em falsete

à meia-luz

arcano

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 00h21
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