
Anoiteço em mim
não reconheço a luz do dia
cansaço sem fim
Social figura
fulgura sem par
quem sai no meu lugar
é o sapato de verniz
Zeca Pestana

Anoiteço em mim
não reconheço a luz do dia
cansaço sem fim
Social figura
fulgura sem par
quem sai no meu lugar
é o sapato de verniz
Zeca Pestana
Rodopiar sem senso
embalado pela tentação
um desespero despertador
Achar o norte
perder o sul
leste de si
oeste nem sei
a direção que sobrecarrega
atração pelos polos
conduz
Na latitude sem susto
lusco-fusco
determina o tom
reconhece o sentido
uma música soprada ao ouvido
profecia da palavra
Ir
Zeca Pestana
Eva ou Lilith
em ciclos faces
essência
dos segredos e dos homens
devoram
Amor ou Desejo
Zeca Pestana
O vento baixo
refrescando lembranças
balança as roupas do varal
quaradas em fundo anil
No quintal da velha casa
a brincadeira infantil
adquirindo forças
com uma capa de super-herói
Ansiedade sem ar
vai-e-volta
se esvai
e a corrente sutil
leva na memória
Zeca Pestana
Eterna apatia
acreditar no novo romance
crença numa simpatia
Um punhado de pétalas vermelhas
maceradas ao mel e canela
consagrar o encanto
com a força das sete ervas
milagrosas e poderosas
o banho batismo
te fará descobrir
o perdido amor por ti
Zeca Pestana