Cruzarei as terras imaginárias
na calma das contas de um rosário
rodear velhas lendas
a veleidade do ideal amor
Viver ou fenecer
flor da pele
despetalar
Bem-Me-Quer
quem me quer
aproveite
Mal-Me-Quer
quem não quer
dê passagem
Zeca Pestana
Cruzarei as terras imaginárias
na calma das contas de um rosário
rodear velhas lendas
a veleidade do ideal amor
Viver ou fenecer
flor da pele
despetalar
Bem-Me-Quer
quem me quer
aproveite
Mal-Me-Quer
quem não quer
dê passagem
Zeca Pestana
Frio de uma tarde no fim
estranha inundação dos afetos
umidade nos humores
a chuva lavou
Os passos rápidos vão em destino
nome e sobrenome apagou
Só restou a fotografia
e uma distraída testemunha
entristecida se calou dividida
parapeito
um suspiro
embaçando quietamente a partida
Zeca Pestana
A superfície em rubor
nuance da cor envergonhada
tinge o rosto
tez rubi
Um calor num fulgor
ingênuo alíbi
o instante esmaece
Zeca Pestana

Instigar com volúpia da língua
vertente dos prazeres
a saliva quente
sacia
sede à míngua
Do circundar de um beijo
tátil viagem no escuro
penetrando nos desejos rasos
ancorados em lábios salvos
afogados na lascívia
Zeca Pestana