Lua Vazia - UOL Blog

Lua Vazia


29/06/2007


Gelo

 

 

 

Olha !

Rasgo o peito na esperança de aquecer

o frio que invade as entranhas

que já é de gelo o sangue

drena o medo estranho

ferido com unhas

oco exposto

Exorcizando os desamores

dando ar aos pulmões

a pressão secreta

libertar

Desaguado em nascente fresca

vários desvios do chorar

escorrem para fora

salmora liquefaz

aflora e rega

e molha o lenço de fino algodão

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 22h05
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24/06/2007


Moldura

 

 

 

A tela nua percebe a moldura

enquadrada no contorno

outro olhar arrisca

risca o molde

corporal

Um mergulho na escuridão

o feitiço da imagem

sombra sensorial

hipnotiza

em marcas da fisionomia

alegrias ou tristezas

teoria da forma

ying e yang

o social deforma

Por um perfeito perfil clássico

sobrevive na rachadura

o risco tênue

monocromo

resiste a um ponto de vista

 

 

Zeca Pestana

 

Escrito por Zeca Pestana às 10h25
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16/06/2007


Voz

 

 

 

Quando eu rezo

mantenho a voz baixa

aroma de menta

Nos ermos cantos profanos

hálito de pimenta

vocifero

 

 

Zeca Pestana

 

Escrito por Zeca Pestana às 18h26
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09/06/2007


Comunhão

 

 

 

Prateado

celestial exalta

uma hora do anoitecer

renascendo nos sons naturais

fenecem aos poucos os ruídos do dia

e a dama-da-noite que exala os encantos

quando o menino deserda o homem

esquece do mundo ao redor

a calma na audição

grilos em coro

louvores

A comunhão com o astro cadente

completando o meio-círculo

na pressa da prece

ascende ao céu

um pedido

ilusão

que alguém há de escutar

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 17h03
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02/06/2007


Prelúdio

 

 

 

Reavivar uma fábula antiga

na sintonia da saudade

os ecos passados

violáceos

Ser um súdito seduzido

o prisioneiro na eterna contradança

uma régia orquestra divinal

ritmo docemente leve

provoca e roça e leva

o sarau alado

No prelúdio de um romance

circundar no labirinto

frenesi infinito

a imortal entrega ao sacrifício

quase no precipício

do amor em prol da razão

margem que se sustenta na mão

o ensaio dos passos largos

indo na sua direção

 

 

Zeca Pestana

 

 

Escrito por Zeca Pestana às 18h22
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