Azaléia
flor de florada
no fim do inverno
grita em cor
lilás-forte
Preenche a visão
o vão
a grade da prisão
na janela o inocente perdão
um veredicto
liberdade pura
que me separa da rua
Zeca Pestana
Azaléia
flor de florada
no fim do inverno
grita em cor
lilás-forte
Preenche a visão
o vão
a grade da prisão
na janela o inocente perdão
um veredicto
liberdade pura
que me separa da rua
Zeca Pestana
Um rádio de pilha
parceiro nas horas quietas
canta a melodia das mazelas d'alma
rosto vincado no fogo
aquieta
Unta a pele com óleo essencial
rosa mosqueta
perfumado
aliviador das rugas
Consagra com champanhe e alfazema
na honra da Pombagira
cruza a fé
Uma doce maçã-do-amor
batom avermelhado
o sonho juvenil
partido
pedaço melado mordido
agora maduro já endurecido
o corpo feito bordel
Zeca Pestana
O que ...
se ganha ou se perde
ao abrigo do sol
aconchego
Sob sonora ária de abelhas sanas
pétalas de violetas murchas
tom do luto
ungem o solo fecundo
quando o dogma divino reajusta
pessoas e plantas
pó e pólen
o ciclo da vida
ressuscita
em folhas caidas no outono
à espera da primavera
semeiam flores
o clarim de um novo dia
Zeca Pestana
O amor é um instante
evanescente
rosa e azul
transmutado em arco-íris
desfaz no infinito sul
Zeca Pestana