Bala de prata
penetra
no peito
coração fraco do criador
mas não mata
fere
o espelho plagiador
vampiro no destino
em reflexo sugador
a criatura
no próprio tempo
se apaga
Zeca Pestana
Bala de prata
penetra
no peito
coração fraco do criador
mas não mata
fere
o espelho plagiador
vampiro no destino
em reflexo sugador
a criatura
no próprio tempo
se apaga
Zeca Pestana
Se de pura água sou
escapo por entre os dedos
do soltar das mãos
as distâncias
Ofício insano de procurar os momentos
perpetuando lembranças
o martírio diluido
ato lacrimal
sal ativo
fluido pranto
em terra adentro
no alguidar absorvido
Zeca Pestana
destino
roda de fogo
em versos orbitais
regressão ao incógnito
O obscuro genoma decifrado
serafim da madrugada
signo dos augúrios
cumpre a sina
sortilégio
Zeca Pestana
De repente
estranho estar no picadeiro
Repentinamente
estou na corda bamba
Demente
humor cáustico
estreei em circo errado
por erro do passe do mágico
caí no conto desse canto desencantado
um pesadelo de infância é real
o pierrô virou palhaço
Zeca Pestana