
ao léu
a felicidade
resguardo do tempo
mareja entre a crista da onda
uma mensagem deixada na garrafa
perto do porto ancoradouro
a mesura do destino
matura a idade
ao céu
Zeca Pestana

ao léu
a felicidade
resguardo do tempo
mareja entre a crista da onda
uma mensagem deixada na garrafa
perto do porto ancoradouro
a mesura do destino
matura a idade
ao céu
Zeca Pestana

Despistarei a tristeza
procuro o par
número exato
danço freneticamente
por uma noite
dispenso gente chata
pára o pensar
deliciosa irreverência
só nós à sós
descortinando na luz
vira mundo
mundo gira
de nuvem passeando
na manhã
seremos a festa
sem diplomacia barata
iremos brindar ao entardecer
para que a dor brilhe menos amanhã
Zeca Pestana
Carência sem sabor de aventura
afoga na malícia da gula
ao deleite chocolate
sedutoramente
vitaliza
poção da magia
até parece uma bruxaria
atração apetente
hipnotiza
sombras de veludo
na realidade embaçada
longa noite marrom de mil horas
romance escrito em livro
miragem mesclada
narcotiza
livre graciosidade
escorre por entre os dedos
faminta lambida de puro prazer
no creme que derrete
confundem-se
Zeca Pestana
Quente
sou arisco
pavio da dinamite
alimento-me com pimenta
temperadamente
sensível ao toque
chego no ponto de ebulir
rubra insinuação
despudoradamente
o gosto na ponta da língua
Há risco de esquentar um coração
veste vermelha que despida
exibe lasciva intenção
carne ao ponto
vai arder
Zeca Pestana
Promessa
subscrita com giz
uma mensagem de amor
não soube suportar a intempérie
o lado lisérgico do cupido
esbarrando forte
apagou
afeto sem resistência ao relento
a arte do pó na prateleira
efêmero suspiro
espargiu
Entre os lados opostos da tal laranja
cada qual dissecou seu quinhão
no peso de meias-verdades
magoou o lúcido solo
quando acidulou
num delírio
diário
Zeca Pestana