Deus me livre do mal
liberto eu
libertino
da rédea crivada
a profunda linha do destino
Zeca Pestana
Deus me livre do mal
liberto eu
libertino
da rédea crivada
a profunda linha do destino
Zeca Pestana
Quem reside na vitrine iluminada
é só um molde alucinado
marionete sem o fio
ilusão de ótica
engana
olhar vitrifica
sobrevive ao trejeito
clarificada tez de porcelana
o boneco imita a vida
dublê do sonho
vivifica
passo a passo
na imagem infantil
cria a sua ilha da fantasia
Zeca Pestana
Amoral
ser um canibal
dentes desejosos de carne
o predador na sexta-feira ímpar
algarismo cabalístico
início de noite
bestial
uma paixão
no toque agridoce
sem saber qual é a meta
provocar alguém de sangue quente
predisposta vítima indefesa
nem questiona o nome
na solidão loquaz
oferecida
aceita o papel
satisfeito os apetites
assina em uivos lacerantes
visto a catarse mundana que vivo
interlúdio breve da razão
adormece ao dia
o lado B
Zeca Pestana
Código
em cadeado
limite insuportável
no buraco da fechadura
a presença quase indesejável
o esconderijo do enigmático valor
procrastinado a me sentir ateu
cabisbaixo e de pé firme
no nó da madeira
a perpétua lei
o perigo
em aço inox
não abro nem ferrando
Zeca Pestana